“Daí penso coisas bobas quando, sentado na janela do ônibus, depois
de trabalhar o dia inteiro, encosto a cabeça na vidraça, deixo a
paisagem correr, e penso demais em você. Quando não encontro lugar para
sentar, o que é mais freqüente, e me deixava irritado, descobri um
jeito engraçado de, mesmo assim, continuar pensando em você. Me seguro
naquela barra de ferro, olho através das janelas que, nessa posição, só
deixam ver metade do corpo das pessoas pelas calçadas, e procuro nos
pés daquelas aqueles que poderiam ser os seus. (A teus pés, lembro.). E
fico tão embalado que chego a me curvar, certo que são mesmo os seus
pés parados em alguma parada, alguma esquina. Nunca vejo você - seria,
seriam? Boas e bobas, são as coisas todas que penso quando penso em
você. ”
- Caio Fernando Abreu
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